Produções Agrículas Sustentáveis
Ana Mary Oliveira de Souza
Beatriz Pedreira de Oliveira
Marcello Silva dos Santos
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INTRODUÇÃO
O contexto global envolvendo a escassez de recursos naturais e efeitos danosos à saúde humana devido às práticas da agricultura convencional, coage as práticas tradicionais de agricultura e faz surgir a necessidade de um novo dimensionamento da produção e consumo de alimentos. A agricultura sustentável ou “agricultura orgânica” é um nicho de mercado que está atraindo cada vez mais interesse da população, estando articulada com outras correntes como a agricultura natural, biodinâmica, biológica e ecológica. Estas correntes adotam princípios relacionados ao redesenho da produção agrícola, com a valorização das interações ecológicas e com a diminuição do uso de insumos químicos” (SILVA. ÁGATHA; SILVA. SAMANTHA, 2016). Por este motivo, a indústria de alimentos tem sido pressionada a melhorar os padrões de qualidade de suas matérias-primas, porém, tem enfrentado grandes desafios de acordo com a Aliança de Centros de Pesquisa Orgânica–ORCA.
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AGRICULTURA SUSTENTÁVEL, AGRICULTURA COMERCIAL E OS SEUS DESAFIOS.
Primeiramente é importante conceituar agricultura sustentável que também é chamada de agricultura orgânica, ela é uma forma de cultivo que respeita o meio ambiente, aumenta a saúde do solo, das plantas, dos animais, do homem e do planeta, seja por meio do manejo do solo, do processamento dos alimentos, da distribuição ou do consumo. (SOARES, Érika A. de A; SANTOS, SCL; SILVA, LKC.; CARDOSO, JE do N.; COSTA, ZLC de M, 2021). É necessário citar que esse modelo de produção é caracterizado por não fazer uso de agrotóxicos, adubos químicos e aditivos, de modo a não afetar a saúde humana e o meio ambiente.
Outro conceito a ser abordado é o da agricultura comercial, que é o manejo agrícola, voltada a plantações em larga escala, focando na produtividade, fazendo o uso de máquinas e produtos químicos. Ela é caracterizada sobretudo pelo uso indiscriminado de agrotóxicos e de produtos transgênicos, o que é extremamente prejudicial. Traz consigo problemas ambientais, como contaminação das águas e dos solos podendo assim afetar a flora e a fauna, além disso, são danosos à saúde humana e podem causar lesões renais, câncer, alergias respiratórias e distúrbios neuropsiquiátricos. (SILVA. ÁGATHA; SILVA. SAMANTHA, 2016).
É válido citar que, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e, atualmente, também ocupa o primeiro lugar em importações desses produtos, o comércio mundial de agrotóxicos de 2000 a 2013, cresceu cerca de 220% e segundo dados do Ministério da Agricultura em 2020 o Brasil aprovou o registro de 493 novos agrotóxicos, o maior número de pesticidas aprovado desde 2000. (MATTEI, TAÍSE FÁTIMA; MICHELLON, EDNALDO).
Apesar disso, a agricultura orgânica esta crescendo no Brasil devido à consciência que qualquer intervenção humana no meio ambiente gera algum tipo de impacto, (MORAIS E OLIVEIRA. 2017), principalmente pela preocupação do consumidor com a saúde e ingestão de alimentos que contenham agrotóxicos, a presença do movimento ambientalista organizado, representados por ONGs preocupadas com a conservação do meio ambiente, grupos contrários ao domínio da agricultura moderna por grandes corporações transnacionais e a utilização de ferramentas de “marketing” pelas grandes redes de supermercados, por influência dos países desenvolvidos, que teriam induzido demandas por produtos orgânicos em determinados grupos de consumidores (CAMPANHOLA & VALARINI, 2001, p. 72 – 73) e que a agricultura orgânica contribui na produção de alimentos saudáveis, de maior qualidade; na sustentabilidade e no baixo impacto ambiental; na manutenção da biodiversidade; na rotatividade de culturas e na preservação dos recursos naturais, assim, mantendo a saúde do solo, dos ecossistemas e das pessoas.
Lastimavelmente, enquanto a agricultura orgânica enfrenta uma série de desafios em se desenvolver no Brasil, a agricultura comercial possui facilidade em se desenvolver, pois, através dela há mais aproveitamento de terras; utilização de técnicas de mecanização; aumento da produtividade; pode ser destinado para diferentes tipos de mercado e tem menos custo. (SILVA. ÁGATHA; SILVA. SAMANTHA, 2016).
Entre os desafios que tangenciam a dificuldade da produção agrícola se estabelecer no mercado interno, se destacam a baixa capacidade produtiva, ou seja, é produzido pequeno volume com uma menor diversificação de produtos e uma oferta irregular, o que dificulta o estabelecimento de contratos fixos de fornecimento com compradores que necessitam de maiores quantidades como lojas especializadas, restaurantes, hospitais, escolas, etc. e redes varejistas.
Além da falta de assistência e orientação, principalmente oriundas dos extensionistas rurais, que possuem um papel fundamental para apoiar, orientar, sobretudo o pequeno agricultor, promover o desenvolvimento das pequenas e médias propriedades com novas tecnologias de preparo e garantir a sustentabilidade financeira dos produtores, isso impacta na superação de desafios e estabilidade no mercado, afinal se desconhece informações imprescindíveis sobre a produção orgânica, as técnicas e as formas de manejo, as alternativas de comercialização, além das dificuldades dos produtores em se organizarem coletivamente em associações e/ou cooperativas.
Por último, existem as dificuldades relacionadas a aspectos financeiros, que permeiam a dificuldade em adquirir créditos, o processo de conversão da produção convencional para a orgânica, os altos custos envolvendo a certificação e o acompanhamento rigoroso dos critérios.
Os produtores que desenvolvem a agricultura de pequena escala e, por motivos diversos, dependem da modernização dos processos, buscando desenvolver uma produção sustentavelmente economicamente e com o menor impacto negativo possível no meio ambiente.
2.1 SISTEMAS SUSTENTÁVEIS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA
Conforme citado anteriormente, a agricultura orgânica é um meio muito interessante contribuir diretamente com um desenvolvimento mais sustentável. Nesse sentido, para viabilizar a implementação desse método de plantio em larga escala, se faz necessário o uso e também o desenvolvimento de novas tecnologias relacionadas.
Nessa forma de cultivo, um dos objetivos é entregar os alimentos ao consumidor final de modo mais natural possível, diminuindo qualquer risco à saúde humana advindos de agroquímicos presentes tanto no processo de plantação e manutenção da planta, como também no processamento pós, colheita.
Logo, percebe-se que o avanço científico está diretamente ligado aos conhecimentos tradicionais da agricultura. Tais métodos, quando adaptados às mais modernas tecnologias de produção agropecuária, são responsáveis por garantir uma maior produtividade com o mínimo de interferência nos ecossistemas. (ORMOND, GERALDO PACHECO et al. 2002).
Uma das formas de maximizar os atributos de uma planta é o uso de um bom substrato. Eles são importantes, pois colaboram na: Aclimatização, onde garantem a manutenção mecânica do sistema radicular; na troca de gases entre as raízes e o ar atmosférico e também, na estabilidade da planta. (Silveira et al., 2002). Sendo assim, o Substrato de Ferthorta é uma tecnologia desenvolvida pela EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a base de fibra de coco, pensado para ser utilizado no plantio de hortaliças de modo a não causar danos ao meio ambiente. (CARVALHO VIDAL, et al. 2003, p. 18).
Outra técnica interessante dentro do tema, também desenvolvida pela EMBRAPA, é o uso do coentro junto às plantações de tomate para realizar o manejo sustentável da traça do tomateiro. Dessa forma, faz-se mister realizar o semeio do coentro 15 dias antes do tomate, para que no momento do transplante de mudas do tomateiro seja possível aproveitar o efeito protetor do coentro. De 30 a 40 dias após o transplante do tomate, é necessário realizar a segunda semeadura. A folha de coentro produz um aumento na quantidade de inimigos naturais, como: joaninhas, Formigas e Aranhas, além de atraí-los para si, o que possibilita uma melhor exploração dos recursos, uma vez que o tomateiro se encontrará livre desses mesmos insetos. (CARVALHO VIDAL, et al. 2003, p. 29).
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Portanto, entende-se que a agricultura orgânica é muito importante no que diz respeito à produção de alimentos mais saudáveis, sem a interferência de agroquímicos, bem como na manutenção da sustentabilidade no meio e até mesmo na preservação dos recursos naturais. Com isso, observa-se um grande crescimento da demanda de produtos alimentícios orgânicos dentro do mercado brasileiro, principalmente por conta da conscientização da população. No entanto, existem alguns desafios para que essa demanda seja totalmente atendida como a baixa capacidade produtiva, a falta de assistência técnica oficial, dentre outros. Contudo, tais desafios vêm sendo contornados cada vez mais pelos avanços da ciência que curiosamente, surge da mistura dos conhecimentos tradicionais e técnicas de plantio antigas com o as novas tecnologias de produção agrícola disponíveis no mercado.
REFERÊNCIAS
CAMPANHOLA C., VALARINI P. J. A agricultura orgânica e seu potencial para o pequeno agricultor, Cadernos de Ciência e Tecnologia, Brasília, v. 18, nº 03, p. 69-101, Set./Dez. 2001.
DE MEDEIROS HESPANHOL, ROSÂNGELA AP. Perspectivas da agricultura sustentável no Brasil , nº 02 [online]. Março de 2008 [Acessado 7 Dezembro 2021]. Disponível em: http://journals.openedition.
IPEA – INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Produção e consumo de produtos orgânicos no mundo e no Brasil . Texto para discussão. Brasília: Ipea, n. 2538, 2020. [Acessado 7 Dezembro 2021].Disponível em: https://www.ipea.gov.br/
MATTEI, TAÍSE FÁTIMA E MICHELLON, EDNALDO. Panorama da agricultura orgânica e dos agrotóxicos no Brasil: uma análise a partir dos censos 2006 e 2017. Revista de Economia e Sociologia Rural [online]. 2021, v. 59, n. 4 [Acessado 7 Dezembro 2021] , e222254. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1806-
MAZZOLENI, EDUARDO MELLO E OLIVEIRA, LUIZ GUILHERME DE. Inovação tecnológica na agricultura orgânica: estudo de caso da certificação do processamento pós-colheita. Revista de Economia e Sociologia Rural [online]. 2010, v. 48, n. 3 [Acessado 7 Dezembro 2021] , pp. 567-586. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/
MORAES, MURILO DIDONET DE, NILTON APARECIDO MARQUES DE OLIVEIRA. "Produção Orgânica E Agricultura Familiar: Obstáculos E Oportunidades." Revista Desenvolvimento Socioeconômico Em Debate 3.1 (2017): 19. Web. Disponível em: http://periodicos.unesc.net/
ORMOND, GERALDO PACHECO. (Brasil). Agricultura orgânica: quando o passado é futuro. 2002. Disponível em: https://web.bndes.gov.br/bib/
PATERNIANI, ERNESTO. Agricultura sustentável nos trópicos. Estudos Avançados [online]. 2001, v. 15, n. 43 [Acessado 7 Dezembro 2021] , pp. 303-326. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/
SILVA, ÁGATHA TRANSFELD DA, SAMANTHA TRANSFELD DA SILVA. "Panorama Da Agricultura Orgânica No Brasil." Segurança Alimentar E Nutricional 23 (2016): 1031. Web. Disponível em: https://periodicos.sbu.
SOARES, ÉRIKA A. DE A .; SANTOS, SCL; SILVA, LKC.; CARDOSO, JE DO N .; COSTA, ZLC DE M. Sistemas de produção de base ecológica: uma alternativa para o desenvolvimento sustentável. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento , [S. l.] , v. 10, n. 8, pág. e59810817554, 2021. DOI: 10.33448 / rsd-v10i8.17554. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.