Por que é urgente falar sobre as mudanças climáticas?

Nos dias de 19 a 23 de Agosto, a Capital Baiana sediará a Semana do Clima da América Latina e Caribe. As Semanas Regionais do Clima são estruturadas para entidades governamentais e não governamentais abordarem a amplitude das questões climáticas através do poder colaborativo de discutir desafios e oportunidades para reverter o alarmante quadro atual. Segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), caso as emissões de gases continuem no mesmo ritmo, a atmosfera vai se aquecer pelo menos 1,5ºC até 2040, causando uma série de impactos ambientais e sociais, tornando necessário que sejam tomadas medidas preventivas a respeito do assunto. 

De acordo com a WWF (World Wide Fund for Nature), organização não governamental que trabalha em ações de conservação, investigação e recuperação ambiental, as mudanças climáticas ocorrem pelo lançamento de gases de efeito estufa dispersos na atmosfera, a exemplo do dióxido de carbono (CO²), gerado principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Com isso, forma-se um tipo de manto, em que os gases, juntamente aos raios solares, permeiam a camada de ozônio, fazendo o planeta aumentar cada vez mais sua temperatura.

 


fonte: https://www.ecycle.com.br/1294-aquecimento-global/ acesso:>15 de agosto de 2019.

Outras causas para as mudanças climáticas:

  • Queima de petróleo; gás natural.

  • Desmatamento.

  • Uso excessivo dos recursos naturais para obtenção de energia.

  • Metano liberado nos lixões.

  • Atividades agropecuárias (processo digestivo bovino).

Por sua vez, as alterações climáticas trazem sérias consequências para o ecossistema, pois havendo variabilidade climática, fenômenos naturais começam a surgir. Sendo eles:

  • Irregularidade nas correntes marítimas.
  • Radiação solar.

Trazendo por resultado episódios terrestres:

  • Seca.
  • Tornados.
  • Furacões.
  • Enchentes.

Que nitidamente são processos devastadores.

Além de todos esses resultados geográficos, abrange vários níveis: saúde, economia e acesso direto nas comunidades. Segundo estudiosos e pesquisadores da área, se não houver uma intervenção imediata as decorrências podem ser vorazes:

  • Aumento do nível do mar.
  • Derretimento das geleiras.
  • Regiões com baixa temperatura e neves.
  • Zonas litorâneas inundadas.
  • Reserva de água para consumo humano - consumo, higiene, produção de alimento - irão reduzir.
  • Reserva de água para consumo animal entrará em escassez.
  • Extinção da fauna e flora.

dentre outros.

 

O Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change) expõe um alerta sobre esse tema: aumento da temperatura entre 1º a aproximadamente 6º graus. Sendo que os dados mais quentes registrados na história sucederam os anos de 1999 e 2000.

Dentro desse contexto, o Brasil possui desafios significativos para mitigação dos impactos das mudanças climáticas, considerando que trata-se de um país com grande diversidade na distribuição territorial da população, bem como com problemas básicos relacionados a saúde e educação que ainda precisam ser sanados. As alterações no clima devem gerar uma redução de recursos hídricos nas áreas áridas e semi-áridas, ocasionando também um processo de aridização, com a extinção de plantas e animais endêmicos. Na região Sudeste, o aumento das chuvas deve provocar impacto na agricultura e no aumento da freqüência e da intensidade das inundações nas grandes cidades. O Brasil está entre os 10 maiores países emissores de gases de efeito estufa do mundo:

 

O Brasil tem algumas vantagens importantes na mitigação das mudanças climáticas, uma vez que a América Latina lidera o mundo em energia limpa. Além disso, a inovação tecnológica pode contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa nos processos de produção e consumo, utilizando inteligência artificial, internet das coisas, nanotecnologias, biotecnologias e robótica. 

As mudanças climáticas, ainda, tendem a aumentar a exposição das cidades às ameaças e riscos. Segundo Pablo Lazo, diretor da consultoria internacional Arup e professor de Desenvolvimento Sustentável e Resiliência Urbana na América Latina e Europa, as cidades resilientes “são aquelas que têm capacidade para responder, se adaptar e continuar seu desenvolvimento apesar dos impactos agudos e tensões que possam surgir. Após um evento catastrófico, a cidade pode sair mais forte e melhor preparada para o futuro”. Salvador é uma das 16 cidades da América Latina que formam o programa 100 Cidades Resilientes da Fundação Rockefeller. Na imagem abaixo estão algumas medidas sugeridas para atuar na gestão das cidades resilientes:

Fonte: Plasma Engenharia e Sustentabilidade (ONU)

 

É muito importante que as cidades e nações criem planos de ação que envolvam todas as instituições sociais para conter as previsões alarmantes para o clima mundial. Os cidadãos também podem se engajar nessa luta procurando se informarem mais sobre a situação atual, tentando observar com mais atenção os impactos ambientais decorrentes das mudanças climáticas em sua região, para que entendendo as ocorrências, seja possível modificar hábitos diários de vida e cobrar dos governantes que sejam feitas intervenções.  

 

Para saber mais:

 

ESPARTA, A. Ricardo J. et al. Principais Conclusões do Terceiro Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima. In: Apresentado no IX Congresso Brasileiro de Energia. 2002.

 

RESTREPO, Juan Carlos Herrera. NOVOS MODELOS DE DESENVOLVIMENTO URBANO: CIDADE MEDELLÍN DIGITAL, GUADALAJARA DIGITAL CREATIVE CITY: UM OLHAR DAS EXPRESSÕES ASSOCIATIVAS DA JUVENTUDE.

 

UNISDR, Como Construir Cidades Mais Resilientes. Um Guia Para Gestores Públicos Locais (2005–2015). Genebra, November, 2012.

Mudança climática: 7 gráficos que mostram em que ponto estamos. Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2018/12/06/mudanca-climatica-7-graficos-que-mostram-em-que-ponto-estamos.ghtml. acesso: > 10 de agosto de 2019.

“Estratégia de combate a mudanças climáticas deve envolver cidades”. Disponível em: https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,estrategia-de-com.... acesso: > 11 de agosto de 2019.

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Disponível em: http://www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/brasil-e-as-mudancas-climaticas.... acesso: > 11 de agosto de 2019.

Como a mudança climática está deixando os países ricos mais ricos, e os pobres mais pobres. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48148815. acesso: > 11 de agosto de 2019.

Situação do clima em 2018 mostrou aumento dos efeitos da mudança climática. Disponível em: https://nacoesunidas.org/situacao-do-clima-em-2018-mostrou-aumento-dos-e.... acesso: > 12 de agosto de 2019.

Conferência do Clima começa com senso de urgência e tensões políticas. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2018/12/conferencia-do-clima-come.... acesso: > 11 de agosto de 2019.

Há forte risco de crise climática já em 2040, aponta relatório da ONU. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2018/10/ha-forte-risco-de-crise-c.... acesso: > 10 de agosto de 2019.

Mundo perde área do tamanho da Bélgica em florestas tropicais primárias em 2018. Disponível em: https://wribrasil.org.br/pt/blog/2019/04/mundo-perde-area-do-tamanho-da-.... acesso: > 11 de agosto de 2019.

Global Forast Wacth. Disponível em: https://www.globalforestwatch.org/map/country/BRA. acesso: > 10 de agosto de 2019.