Impactos Ambientais Associados a Pecuária

Apesar das novas linhas de alimentação que vem surgindo ultimamente, como o veganismo e o vegetarianismo, as quais buscam a abstenção no consumo de carne e seus derivados, a produção de carne no Brasil vêm aumentando progressivamente, seja pelo aumento da procura ou pelo consumo exacerbadamente incentivado deste produto. Essa produção crescente ocasiona impactos ambientais quase nunca citados pela mídia e poderes públicos, porventura  o país é um dos maiores produtores mundiais de carne e tem a pecuária como uma das suas principais fontes de economia.

Segundo informações da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), através de um levantamento feito pelo CONAB em maio de 2018, em uma produção de 116,996 milhões de toneladas de soja necessita de uma área de 35,100 milhões de hectares para ser cultivada. Para mais, cerca de 79% desta soja é destinada para a produção de ração animal, conforme dados da WWF, uma organização internacional voltada à cuidados do meio ambiente. Desse modo, para conseguir suprir a demanda de ração para animais, o cultivo da soja se tornou um dos principais contribuidores para o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, juntamente com as áreas de pastagem, motivado pela produção em alta escala de ração para animais para conseguir acompanhar o desenvolvimento da pecuária no país.

Outro assunto pouco citado se refere aos dejetos dos animais, de acordo IMAFLORA (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), segundo seus estudos no ano de 2015, cerca de 18,9 milhões de toneladas de CO2 (dióxido de carbono) foram liberados apenas por manejo de dejetos dos animais da pecuária. Para quantificar esse valor em um animal diariamente, uma vaca leiteira, por exemplo, produz em média de 45 quilos de esterco e urina. Porém quando ela está em confinamento, esses dejetos podem ganhar um aumento, já que nesse período é quando a vaca ou boi se alimentam mais para chegar no peso que o seu criador deseja para o abate ou outra finalidade.

Têm-se ,então, que quantidade dos dejetos começa a se tornar um grande problema quando o gado está na pastagem, provocando a degradação da matéria orgânica, ainda por cima se tratando de uma quantidade é excessiva e pontual, tornando o solo menos fértil, fazendo necessário o uso de fertilizantes para corrigi-lo, o que traz mais impactos ambientais. Quando os animais estão confinados, no entanto, o problema se agrava ainda mais, já que para manter o local adequado, é preciso lavá-lo diariamente, e a água que é utilizada no processo converte-se ao final em chorume, e quando este é descartado incorretamente, contamina o solo e os recursos hídricos da região, o que, segundo o Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), é uma prática que é realizada constantemente nas fazendas.

O crescimento da pecuária precisa de mais estudos para ajudar a elaborar novas soluções que consiga minorar seus impactos ao meio ambiente que acompanha essa expansão, mesmo que já existam ações algumas já em prática, elas ainda não são suficientes devido a dimensão da atividade. O seu aumento significativo acaba tornando os efeitos dessas intervenções existente pouco expressivo e não tem um retorno necessário para que essa atividade possa ser considerada sustentável por muito ambientalistas.

Destarte, para que os impactos gerados nessa atividade sejam minimizados é preciso pensar em múltiplas ações que consigam conciliar os aspectos econômicos, sociais, política e ambientais. E para que elas sejam produzidas e aplicadas, é preciso que elas sejam mais discutidas no meio acadêmico, e que pesquisas comecem a ser motivadas pelas universidades e pelo poder público para que consiga chegar ao um consenso das vertentes citadas.

O consumo de carne não é apenas um problema de gestão, mas sim uma questão de hábito, quanto maior a população, mais o seu consumo será aclamado por esse costume e pelas poucas ações são feitas para equilibrar esse crescimento. Com isso, o meio ambiente sofre com perda de recursos e a população ,sem ter consciência, não reclama por mudanças, como se faz com a questão dos combustíveis fósseis, por exemplo. As consequências de toda essa temática é que os impactos vão se agravando, como o aumento dos gases do efeito estufa, prejudicando a manutenção dos recursos hídricos, com o aumento das áreas com baixa capacidade de infiltração e também o empobrecimento do solo que é ocasionado, como exemplos. Isto é, provoca problemas que possam ser irreversíveis para futuro.

 

Referências:

https://www.embrapa.br/soja/cultivos/soja1/dados-economicos

https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agricult...

http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/1050/1/TD_1782.pdf