Captação de água de chuva, porque e como fazer!

Captação de água de chuva, porque e como fazer!

 

A água é sem dúvida um dos líquidos mais consumidos do mundo e essencial para a sobrevivência humana. Além do uso para beber, ela é utilizada em outros setores da sociedade como a agropecuária e a indústria. Entretanto, nem todas regiões no Brasil possuem autossuficiência hídrica, para isso se torna necessário o uso de técnicas para  o aproveitamento da água pluvial nas residências.

 

Segundo a BBC Brasil, o tempo de sobrevivência sem beber água varia entre três e cinco dias, de acordo com cada pessoa, confirmando a sua categorização como um recurso natural indispensável para a manutenção da vida na terra. Além disso, para que haja a produção de alimentos em larga escala e hidratação dos rebanhos de animais leiteiros ou de corte é preciso o uso deste recurso em larga escala.

 

Devido ao decreto de quarentena e o início da pandemia no Brasil, no primeiro semestre de 2020, as pessoas passam mais tempo em casa e atividade como lavagem de roupas, de pratos, cuidados com jardins e plantas, dentre outras, foram intensificadas e realizadas com mais frequência e em menor período de tempo. Consequentemente essas atividades ocasionam também o aumento da demanda por água para uso residencial e também um aumento da conta de água. Em uma matéria publicada no jornal Estadão, Lorelay Lopes, head de operações na UP Consórcios e educadora financeira pela DSOP, acredita que a conta de água sofrerá um reajuste de 3% a 4%, em 2021, causado também pela falta de reajuste da conta em anos anteriores.

 

Uma das alternativas para reduzir a conta de água é utilizar mecanismos para o reaproveitamento de águas pluviais, ou seja, de água das chuvas. A maioria da água consumida no mundo vem de águas subterrâneas ou de rios, e estes são abastecidos pelos denominados “rios voadores”, que nada mais são que as nuvens que carregam milhões de m³. E todo esse potencial hídrico é desperdiçado ao não ser captado. 

 

De acordo com Annecchini (2005)

 

A utilização da água da chuva além de trazer o benefício da conservação da água e reduzir a dependência excessiva das fontes superficiais de com enchentes, buscando garantir a sustentabilidade urbana, que segundo Dixon, Butler e Fewkes (1999), só será possível através da mobilização da sociedade em busca do uso apropriado e eficiente da água.

 

Neste momento, acredito que você pode já estar convencido de que o reaproveitar água da chuva é uma prática legal e que trará benefícios econômicos, sociais e ambientais, mas como abastecimento, reduz o escoamento superficial, minimizando os problemas proceder para implementar essa prática em sua residência? Um dos métodos mais empregados e de baixo custo, é o de "Minicisternas'', e será tomado como base a desenvolvida pelo grupo Sempre Sustentável, no projeto experimental de aproveitamento de água da chuva com a tecnologia da minicisterna para residência urbana.

 

Os materiais empregados são, basicamente, uma bombona ou caixa d'água e tubos e conexões em PVC. Na Figura 01 é possível ter uma ideia do funcionamento da minicisterna.

 

Figura 01: Esquema didático do funcionamento mini cisterna

Fonte: permacultores urbanos

 

Na primeira etapa do processo, é preciso que a residência já possua um sistema de calhas para captação da água advindas do telhado. A depender do tempo sem receber chuva, ficarão acumuladas, superficialmente, sujeiras, folhas e excretas de aves, por isso a primeira água precisa ser descartada. O filtro não deixará passar folhas ou outros objetos de maior granulometria e será autolimpante por causa da angulação a qual foi submetido. Caso seja uma chuva leve, a minicisterna não será preenchida e a água acumulada no descartador será gradualmente evacuada pela ponteira.

 

Considerando, neste momento, uma chuva mais torrencial, a minicisterna começará a ser preenchida até chegar ao ponto do “ladrão”. Segundo a Oxford Language, ladrão é que ou aquele que comete o furto ou roubo, na minicisterna o furto que ocorre é a retirada de água, impedindo que o sistema extravase. Na saída da água vinda do ladrão, é preciso ter uma tela para o mosquito, evitando reprodução destes e a consequente proliferação de doenças.

 

Para a retirada da água é preciso acoplar uma torneira próximo à parte mais baixa da bombona, podendo ser conectada também uma mangueira. Esse sistema também pode estar apoiado a um sistema elevatório de madeira ou concreto, elevando a uma certa altura do solo, para melhorar a velocidade escoamento.

 

Para ter acesso ao manual completo de fabricação e instalação da minicisterna, acesse o link que será disponibilizado logo abaixo. Lembrando que essa água pode ser utilizada para lavar pisos, carros, irrigar plantas, descarga de vasos sanitários entre outras funcionalidades, mas nunca para via de consumo, para isso precisaria passar por outros processos de tratamentos não listados nesta publicação.

 

Link do manual: https://mac.arq.br/wp-content/uploads/2016/02/Minicisterna-para-Resid%C3%AAncia-Urbana.pdf

 

Texto produzido por: Ian de Moura

 

Referências:

 

ANNECCHINI, K. Aproveitamento da Água da Chuva Para Fins Não Potáveis na Cidade de Vitória (ES). Tese (pós-graduação) - Centro tecnológico, Universidade Federal do Espírito Santo. Disponível em: portais4.ufes.br/posgrad/teses/tese_6582_VERS%C3O%20final%20-%20Karla%20Ponzo.PRN.pdf. Acesso: 17 de mar. 2021.

 

BBC NEWS BRASIL. O QUE acontece com o corpo quando você deixa de beber água? 2016. Disponível em: bbc.com/portuguese/noticias/201 6/04/160424_agua_desidratacao_fn. Acesso em: 17 mar. 2021.

 

Fundo Social São Paulo, Projeto experimental de aproveitamento de água da chuva com a tecnologia da minicisterna para residência urbana. Disponível em: sempresustentavel.com.br/hidrica/minicisterna/minicisterna.html. Acesso: 17 de mar. 2021.

 

SIMÕES, Luiz. Conta de água pode ficar até 6% mais cara em 2021. Veja como se preparar para o reajuste. Estadão, [S. l.], 29 dez. 2020. Disponível em: einvestidor.estadao.com.br/educacao-financeira/reajuste-conta-de-agua-2021#:~:text=A%20Sabesp%20. Acesso em: 17 mar. 2021.